SEMENTES DA FLORESTA

Depois da última página

A história não acaba aqui. Ela continua em casa, na voz, no gesto, na conversa antes de dormir.

Esse marca-páginas que veio dentro do livro foi pensado para que a história não termine na última página. Ela continua na voz, no gesto, na conversa antes de dormir.

A Violeta descobriu que dentro dela existia uma lanterna colorida. O Lírio descobriu que tem dias de vulcão e dias de quietude. As duas crianças não estão sozinhas no mundo dos sentimentos. Sua criança também tem essas descobertas pela frente.

Aqui ficam alguns caminhos. Escolha o livro da sua criança e siga por ali, ou explore os dois mundos. Não tem certo nem errado. Só presença.

Com carinho,

Nicoly

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Por onde sua criança começa?

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VIOLETA

Pequenos rituais para depois da história

A lanterna colorida

A lanterna que a Violeta encontrou dentro dela é mais do que um objeto da história. É uma ferramenta para o dia a dia. Cada cor representa um sentimento. Vermelho de raiva. Azul de tristeza. Amarelo de alegria. Verde de calma. Lilás de saudade. Quando a criança aprende a nomear a cor, ela aprende a atravessar o sentimento.

01

A lanterna do dia

Antes de apagar a luz, pergunte: “que cor sua lanterna tá acesa hoje?”. Sem julgar a resposta. Só ouvir. Pode ser uma cor inventada, pode ser uma mistura, pode ser o silêncio. Tudo é válido.

02

A respiração dos três tempos

Inspira em três, segura em três, solta em três. Repete três vezes, devagar. A lanterna vai se acendendo sozinha. É um exercício que cabe em qualquer noite, em qualquer idade.

03

A cor da coragem

Antes de dormir, escolham juntos uma cor para deixar acesa no quarto inteiro. Verde de floresta. Dourado de sol. Azul de mar. A imaginação faz a luz.

04

A caixa da coragem

Desenhem juntos os medos da semana e transformem em personagens engraçados. Um monstro com chinelo. Uma sombra de óculos. Guarde tudo numa caixinha do lado da cama. Os medos ficam ali, cuidados.

05

Bilhete pra noite

A criança escreve ou desenha uma palavra para o medo dela e deixa embaixo do travesseiro. Pela manhã, vocês conversam. Às vezes a palavra mudou. Às vezes sumiu.

06

A mãozinha na mão

Combinem que, se o medo aparecer no meio da noite, ela aperta a sua mão três vezes. Você aperta de volta. Sem precisar acordar. Sem precisar falar. É um gesto que diz “estou aqui”.

07

Lanterna de verdade

Tenham juntos uma lanterna pequena ao lado da cama. Não para usar todas as noites. Para saber que está ali, se precisar. Saber que existe um plano já acalma.

08

A cor que acalma e a cor que dá coragem

Descubram juntos qual é cada uma na sua criança. Escrevam num papel e colem perto da cama. Em dias difíceis, você pode lembrar: “que tal a sua cor de coragem agora?”

A Violeta dormindo sob um céu rosado

O medo não precisa ir embora para a gente conseguir dormir. Às vezes, basta encontrar a cor certa para iluminar o escuro.

LÍRIO

Pequenos rituais para depois da história

As fases da lua

A lua não é igual todos os dias. Tem noites em que ela enche o céu. Tem noites em que ela quase desaparece. As crianças também. Tem dias de vulcão, dias de quietude, dias de leão, dias de lagarto. Tudo faz parte do mesmo céu. Quando a criança aprende a reconhecer a fase em que está, ela aprende a se acolher.

01

Olhar a lua antes de dormir

Vão até a janela, encontrem a lua e contem como foi o dia para ela. Se a lua estiver escondida atrás das nuvens ou da casa do vizinho, ela está ali do mesmo jeito. A lua escuta de qualquer lugar.

02

A pergunta do dia

“Hoje foi mais dia de vulcão ou mais dia de quietude?”. Funciona de manhã, de tarde e antes de dormir. As duas respostas são bonitas. As duas são bem-vindas. Nenhuma é errada.

03

A pergunta do bicho

“Hoje você tá mais dia de leão ou dia de lagarto?”. Para os dias em que a criança não quer falar muito. O leão ruge. O lagarto se aquieta no sol. As duas formas de existir são importantes.

04

Diário das luas

Um caderninho onde a criança desenha a fase da lua que sentiu hoje. Cheia de tudo. Minguando. Nova como recomeço. Crescendo aos poucos. Sem certo nem errado. Só registro do que se passa por dentro.

05

Pedrinha do dia

Cada noite, a criança escolhe uma pedrinha e coloca num potinho. Pedras claras para os dias de luz. Pedras escuras para os dias de sombra. No fim do mês, vocês olham juntos e veem o desenho do tempo.

06

Chá de quietude

Nos dias de lagarto, façam um chá simples antes de dormir. Camomila. Erva-doce. Hortelã. Sem pressa. Em silêncio, se for o caso. O cheiro do chá começa a virar abrigo.

07

Dança de vulcão

Nos dias de muita energia, antes da história, três minutos dançando juntos pelo quarto. Música alta. Pulinhos. Riso. Depois disso, o corpo se aquieta sozinho. A leitura encontra a calma.

08

Carta para a lua

A criança dita ou desenha uma carta para a lua quando algo está difícil. Você guarda. A lua escuta tudo. Algumas cartas a gente lê em voz alta. Outras a gente só guarda. As duas formas funcionam.

09

A canção da lua

Inventem juntos uma música curtinha que vocês cantam toda noite. Pode ter três versos só. Pode ter uma só palavra repetida. Vai virar a senha do sono de vocês. Anos depois, a criança ainda vai lembrar da melodia.

O Lírio olhando para a lua

A lua não tem pressa. Ela muda no tempo dela.

PARA QUALQUER HISTÓRIA

Rituais que servem aos dois mundos

Esses gestos servem para a Violeta, para o Lírio e para qualquer livro que vocês leiam juntos.

01

Velinha da leitura

Acendem juntos uma vela antes da história. Quando a leitura termina, sopram. Foi o ritual do dia. Funciona como um marco entre o estar acordada e o ir dormir.

02

A história pode esperar

Se o sono já chegou no meio da leitura, deixe o livro aberto na página onde pararam. Amanhã vocês continuam de onde a noite parou. A história não tem pressa.

03

Ler a mesma história de novo

Quando a criança pede a mesma história pela enésima vez, ela está pedindo o que precisa. Repetir não é falta de imaginação. É cuidado consigo mesma.

04

Travesseiro com cheiro

Algumas gotas de lavanda no travesseiro antes da leitura. O corpo aprende que esse cheiro é hora de descansar. Com o tempo, o cheiro sozinho começa a acalmar.

A história não acaba na última página. Ela continua na voz de quem lê.

Com carinho, Nicoly · Sementes da Floresta

este espaço foi feito para acompanhar os livros A Menina que Não Dormia e O Menino que Conversava com a Lua